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Início > Noticias > CONCLUSÕES - 6.ª ASSEMBLEIA DIOCESANA DA PASTORAL SOCIAL E MOBILIDADE HUMANA

CONCLUSÕES – 6.ª ASSEMBLEIA DIOCESANA DA PASTORAL SOCIAL E MOBILIDADE HUMANA

  • 3 Março, 2015
  • admina
  • Noticias

A sexta Assembleia Diocesana da Pastoral Social e Mobilidade humana centrou-se neste ano no tema “Uma família humana, pão e justiça para todas as pessoas”. A análise e reflexão desenvolveram-se ao longo do dia pelos subtemas” O direito à alimentação – elemento fundamental da Fé Cristã”, “A fome é filha da pobreza e da má distribuição dos alimentos” e, por fim, “Dar de comer aos que têm fome”, em formato de mesa redonda.

Feito o acolhimento, a assembleia rezou a oração que foi chave da sessão de abertura presidida pelo Reverendíssimo Bispo da diocese de Portalegre-Castelo Branco, D. Antonino Dias. Ladeado pelo director da Escola Secundária de S. Lourenço, onde decorreu o evento, e pelo director do Secretariado Diocesano da Pastoral Social e Mobilidade Humana, Elicídio Bilé, D. Antonino dirigiu-se à assembleia com palavras de satisfação, apelo à acção pastoral e afirmação genuína da fé, lembrando que “uma fé sem obras é morta”, que disse ser este o espírito para esta assembleia, no fazermos o bem aos outros no matar a fome, entenda-se viver a caridade.

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Elicídio Bilé, coordenador da organização da assembleia, cumprimentou os presentes, agradeceu à direcção da escola a disponibilização das instalações, expressou aos oradores a resposta afirmativa ao convite para estarem nesta assembleia, agradeceu a presença da Presidente da Câmara de Portalegre e a todos os que aderiram e participaram na assembleia. Justificou a realização no 2º sábado da quaresma para também estarmos mais próximos do próximo e a anteceder a jornada da “semana Cáritas”, com peditórios de rua e actividades nas paróquias. Sublinhou ainda que a Cáritas diocesana fez o seu trabalho para esta campanha. Porque o problema da fome e da alimentação está no cerne da pastoral social, pois que a alimentação é um direito e matar a fome é elemento central da fé cristã, o que justifica o tema da 6.ª assembleia diocesana da Pastoral Social e, como disse o também presidente da Cáritas diocesana em apelo à mobilização de todos na referida campanha que culmina em maio de 2015, em Roma, para que se instaurem acções de reflexão e acção que contribuam para a eliminação do escândalo social que é a fome mas também no desiderato fundamental de que todas as pessoas tenham comida e vida saudável, concluiu Elicídio Bilé, assim desenhando o pano de fundo e os objectivos desta assembleia cujo programa apresentou aos participantes.

Na qualidade de anfitrião, o Dr. José Rosa dirigiu palavra de boas-vindas às pessoas que elegem a fraternidade e a solidariedade a que a escola de que é director, ele próprio e também alunos da Associação de estudantes se associaram à assembleia da pastoral social.

O bispo D. Antonino reiterou as palavras de gratidão já expressas à escola acolhedora do evento, aos ilustres convidados conferencistas e à Presidente da Câmara de Portalegre, e agradeceu com manifesta alegria a presença dos participantes. Sublinhou depois que há encontros diocesanos riquíssimos. Suportado no prospecto da “justiça e paz” «reflexões sobre a exortação apostólica Evangelli Gaudium do Papa Francisco», e distribuído na pasta de cada participante, D. Antonino aludiu à pobreza da sociedade e à pobreza das famílias, sublinhado que no seio da diocese, a população idosa é a que mais sofre as consequências do modo como a sociedade está organizada, e que se precisa da verdadeira mudança, disse citando o Papa Francisco, adiantando ainda que os agregados familiares da diocese são maioritariamente compostos por 1 pessoa, fenómeno recente da crise financeira, como também a realidade dos jovens solteiros ou casados que cada vez mais dependem dos pais. Neste mesmo sentido aludiu ao que se passa com os idosos em lares, onde pagam o correspondente à reforma e acabam por ser tirados da instituição para casa dos filhos porque a reforma deles ajuda a sustentar a família. Por outro lado, o bispo da diocese relevou o serviço assistencial como má imagem do que é a realidade, e que muitas pessoas só não passam fome porque assim são ajudados na alimentação, medicamentos, etc. No mesmo plano de análise da realidade, D. Antonino referiu o drama do emprego e domínios como a emigração a atingir aqui níveis elevados, nova vaga de emigração que não se caracteriza pela atração da novidade ou da aventura de per si mas pela necessidade.

A fechar a sessão de abertura, o bispo D. Antonino motivou a assembleia com a mensagem do nº 202 do Papa Francisco em Evangelii Gaudium sobre as causas da pobreza e que a mesma se perpetuará enquanto não forem resolvidos os problemas dos pobres deste mundo.

CAUSAS DA POBREZA VS RESPOSTAS EM REDE

Seguiu-se a prelecção do Padre Agostinho Jardim Moreira, director da EAPN Portugal [European Anti Poverty Network (Rede Europeia Anti-Pobreza)], centrada no direito à alimentação como elemento fundamental da Fé cristã. A intervenção do Pe Jardim Moreira foi antecedida da apresentação de vídeo com mensagem do papa Francisco sobre o problema da fome que afecta milhões de pessoas no mundo, que os alimentos disponíveis no mundo são suficientes. “Respeito pelo direito que Deus deu a todos: a alimentação”, e por isso deixando o apelo ao cultivo dos campos e também o desafio às instituições do mundo a darem voz aos que sofrem silenciosamente a fome e a tudo fazerem mas também no apoio ao trabalho de campanha da Cáritas no mundo.

Pe Américo apresentou o Pe Agostinho como cabeça santa (terra natal) mas sobretudo cabeça pensante que age e leva a agir, certamente motivado pela sua fé cristã.

O Pe. Agostinho Jardim agradeceu o convite e também a sua congratulação como presidente europeu da rede europeia anti-pobreza, logo em seguida considerando que o Mundo está a evoluir a uma velocidade enorme, o que se verifica também na igreja. O que está em causa é a pessoa humana que deixou de ser o centro das preocupações, foi descartada em favor do económico. Na conceptualização da Rede EAPN que ilustrou com a imagem do nosso “corpo” ao serviço da vida e do todo que cada pessoa é, na convivência harmónica de todos os órgãos corporais, explicou que também assim todas as instituições, organizações sociais devem articular-se em rede para o todo da sociedade. Sublinhou que a igreja também deve ser de renovação, e provocar polémica em prol da justiça e da dignidade humana. Neste sentido, e porque o ser humano não é só boca nem só estômago, temos de ter resposta à integralidade da pessoa com fome de pão mas também fome de justiça, de afecto, de amor, de ser reconhecida como pessoa. Este ser humano que o cristão reconhece como pessoa única, irrepetível, na sua integridade. Aludindo ao princípio aristotélico ser humano, e à constatação da ciência de que tanto é a razão como o corpo, e ideia de que somos «corpo e alma», mas de que não podemos tratar só do corpo ou quere salvar apenas a alma, mas temos de cuidar da alma e do corpo.

O assistencialismo moderno é um problema civilizacional na europa e a partir desta crise actual, no que afirmou com veemência denunciadora de que os direitos humanos não são satisfeitos apenas com uma sopa, para de imediato proclamar que a pobreza é negação acima de tudo do ser humano e que lutar contra a pobreza é lutar pela cidadania. Disse o Pe Agostinho Jardim que temos de procurar entender o fenómeno social da pobreza, ter consciência da pobreza e encarar a pobreza como fenómeno estrutural, conforme palavras do papa francisco, a 1ª voz da igreja a dizê-lo; a pobreza não se resolve com caridadezinha, mas com transformação social. Para isso devemos colocar a tónica na resolução dos problemas, e a fome é um problema político, o que é dever da acção do cristão e sem protagonismo individual, constituindo-se apelo a sociedade mais solidária, no que é fundamental o voluntariado social como caminho mais viável para a atenuação dos problemas sociais, para a dignidade humana. Desafiou o Pe Jardim Moreira a que não tenhamos medo de trabalhar em rede, assim todos temos uma voz mais forte. Disto convicto, acrescentou que é possível juntar pessoas de vários quadrantes ao serviço da pessoa humana, no combate à pobreza, para nesta abordagem também denunciar que a maior parte da acção das IPSS não é mais do que fazer papel social do Estado, neste domínio colocando seriamente a questão: combate-se a pobreza nas cantinas?

A concluir a primeira abordagem ao tema, o presidente da EAPN esclareceu que importa proceder a um trabalho mais estruturado e que a desconcentração do Estado, como está a acontecer, não pode levar, não pode ser uma pré privatização. É preciso saber se os dinheiros vão para alimentar o Estado ou para resolver os problemas, disse. Devemos portanto intervir, como igreja sermos apenas instituições complementares do Estado, e somos tratados às vezes de maneira inversa, com prepotência e quase exigência do Estado em assumirmos o que pertence ao Estado.

Na segunda parte da intervenção, o Padre Agostinho Jardim Moreira parafraseou de novo o  Papa Francisco, dizendo que ele está a pegar no homem na nova antropologia que é afinal a cristã na dimensão social do Evangelho (cap. V de S. Mateus), em vez da perspectiva aristotélica que predominou ao longo dos tempos sobre a igreja cristã. Nesta lógica citou o Pe Américo da Casa do Gaiato: não se pode pregar o evangelho a estômagos vazios. Assim, importa anunciar o evangelho da vida, em todos os momentos, ajudar a pessoa humana a viver plenamente, na valorização do novo conceito científico da unidade que é o corpo e alma. A pastoral que esquece ou subalterniza o corpo como realidade, não compreende a mensagem cristã. Mas a igreja é um carisma presente na história que se faz comunhão na comunidade eclesial (CV II) numa teologia da igreja que identifica a fonte como a organização, o carisma como instituição. Por isso a igreja tem de agir e ser vista como graça a partir do coração do evangelho, guiada pelo Espírito Santo, dando expressão do Amor cristão no Amor a Deus e no Amor de Deus. Mais frisou que não pode haver evangelização sem acção social da igreja, na sua dimensão da fé. E aludiu às dicotomias paradoxais e antagónicas como espiritualidade/racionalidade, espiritual/material, para de imediato afirmar que a prática pastoral realiza a missão da igreja, no sair para as periferias. A estrutura eclesial existe para servir, logo uma pastoral social de base missionária centra-se no anúncio social evangelizador, na dimensão social da fé e na caridade, o que levou o Pe Jardim a dizer: a dimensão social da missão supõe fazermo-nos contemplativos na missão, se evangelizamos com Cristo no coração, fazemos as obras que Ele fez.

No debate propiciado, o presidente da EAPN disse: não é verdade que só passa fome quem quer.

O evangelho não diz para dar a moeda, mas sim “partilha”. Mais do que resolver o problema pela solidariedade é fazê-lo pela caridade e pela fé. Temos de ver o que defendemos, o que está em causa. Dar resposta às causas, e por isso somos reconhecidos, nós não damos esmolas, vamos ao essencial, às causas e à pessoa humana. A pobreza não é hoje um problema novo, e não se podem resolver problemas novos com métodos antigos, mas é verdade que ainda hoje caímos na tentação do assistencialismo. Temos de ir à raiz, à radicalidade cristã, é fundamental. Temos medo de fazer parcerias, trabalhar em rede, há muitos tabus até na igreja. O que podemos fazer para alterar o paradigma nas instituições da igreja e na sua acção que assenta no assistencialismo? À interpelação, respondeu em desafio, que temos hoje a realidade das CIM, no desenvolvimento local, temos de ir ao encontro das autarquias, de parceiros, e a igreja que está para servir, tem de ir e estar, é preciso unir as autoridades e responsáveis locais, na base com toda a gente que tenha capacidade de intervenção e boa vontade de servir e não para se servir, temos de inverter este ciclo e colocar o ser humano em primeiro lugar de toda a razão humana, deixemos de adorar ídolos. E se necessário for rever os estatutos, se se tem um poder é para servir.

Questionado se a estratégia nacional de luta contra a pobreza e exclusão social vai ter impacto a nível do actual e de próximos governos, se vai influenciar as políticas nesta matéria, o Pe Jardim Moreira respondeu subtilmente que a pobreza neste momento é uma pedra de toque neste governo da direita, porque com as suas directivas aumentaram os níveis de pobreza, e a esquerda serve-se desta luta e escuda-se até na rede. Relembrou que a resolução da pobreza só se resolve com a participação dos pobres e que por isso é preciso trabalhar a partir da base, dar voz aos pobres. O que a rede EAPN está a fazer é apresentar novos caminhos em consonância com a rede europeia. E neste princípio está já a EAPN a trabalhar com a Cáritas.

A um pedido de conselho para que uma pessoa possa ajudar individualmente a resolver problemas de pobreza sem caridadezinha, disse: “é preciso conhecer o local, as necessidades. Não acredito nas respostas pré-fabricadas. É preciso sensibilizar, juntarem-se, não fechar a porta a ninguém, dar resposta ao nível da proximidade, do voluntariado, pela partilha e pela participação de todos no encontrar soluções com corresponsabilidade, religioso e civil, público e particular, na mudança de mentalidades.” P. – Acerca da posição da igreja no mundo e do seu papel na consciencialização das pessoas para se alterar o conceito de utilização do dinheiro, reconheceu que “estamos num mundo do material, da ganância que dá felicidade, idolatria do dinheiro, supremacia do lucro, … em vez da valorização da pessoa humana e da sua felicidade.” E disse pensar que esta crise venha mostrar que o capitalismo deve estar ao serviço das pessoas.

Pelas 12h45, os agentes da pastoral social na 6ª assembleia dirigiram-se ao refeitório da escola para o almoço que decorreu em ambiente de alegria e calor humano desde logo sob a cortesia da organização.

O programa do período da tarde começou a ser cumprido com a apresentação dum vídeo com a mensagem chave de que ‘quando nos alimentamos só a nós, estamos a contribuir para alastrar a fome no mundo.’

Incidente no flagelo da fome, o primeiro tema da tarde “A fome é filha da pobreza e da má distribuição dos alimentos” foi  profusamente reflectido e preclaramente ilustrado de forma concreta pelos dois ilustres oradores: o Dr. Hélder Muteia (ex-ministro em Moçambique e escritor), actual responsável pelo escritório da FAO em Portugal, e pelo embaixador Dr. Murade Murargy, que interveio na qualidade de Secretário Executivo em Portugal da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa).

Segundo o Dr. Murade Murargy, a fome é problemática que levanta hoje vários contornos. A propósito apresentou sumariamente a CPLP, a missão, os 3 pilares que a norteiam na ação e os valores fundamentais, nos quais está incluída necessariamente a problemática da fome no plano dos direitos humanos. Sublinhou o embaixador Murargy que sendo a língua o denominador comum dos países da CPLP, atingidos os 18 anos, está a ser reequacionada a sua visão estratégica, no grande objectivo de aproximar os cidadãos da lusofonia.

A propósito do tema, disse: “cumpre-me reiterar que o problema no acesso à alimentação é uma das principais causas.” O acesso à alimentação em qualidade e em quantidade por todo o ser humano é um direito inalienável assumido pela CPLP – onde 28 milhões de pessoas não têm acesso à alimentação. A preocupação com o problema da fome e da pobreza faz parte dos planos e da acção da CPLP. O direito à alimentação tem sido relacionado com a dignidade humana pela CPLP. Desde 2012, a erradicação da pobreza e da fome passa por acção estratégica na promoção de políticas públicas específicas no campo da nutrição, com o apoio da FAO, num quadro de direito progressivo no direito à alimentação na base da qualidade e segurança alimentares e nutricional e desenvolvimento das populações. Incremento agricultura e promoção de políticas de crescimento e desenvolvimento sustentáveis. Considerou serem aspectos essenciais para a coesão social e aproximação entre povos que falam a mesma língua, como estarmos unidos em torno destra problemática que é a fome e a pobreza. Trazer par ao nosso meio organizações internacionais como a FAO. E disse que devemos guiar-nos pelo primado da paz e da segurança, pão e justiça para todas as pessoas.

O representante da FAO, Hélder Muteia, focou a sua comunicação no princípio de que as pessoas saudáveis dependem de sistemas alimentares saudáveis, com base no que apresentou os agradecimentos à diocese pelo convite para falar dum tema que é fundamental para a dignidade humana. O Dr. Muteia traçou então a perspectiva internacional da problemática da fome, filha da pobreza, destacando os últimos dois temas activos da organização que representa: FAO 2014 – agricultura familiar: alimentar o mundo, cuidar do planeta”; FAO 2015 –  “solos saudáveis para uma vida saudável”, contexto em que apresentou dados objectivos que não deixam alguém ficar indiferente, indicadores tais como: 805 milhões de subnutridos (mapa da fome –FAO). Para logo sublinhar que a fome não só põe as pessoas desesperadas mas tb revoltadas e que quando falarmos da fome, o único número válido e aceite é “zero”. Mas nós estamos aqui a falar duma fome que dói e mata, quando morre uma criança estamos a matar o nosso próprio futuro. Apresentou depois imagens alusivas a malnutrição humana e suas causas (modelo original da UNICEF 1990) por paradigmas errados do desenvolvimento. Em contraponto referiu que o fundamental para a erradicação das causas da fome e da pobreza é agir na base. Análise aos sistemas alimentares sustentáveis com os seus elementos básicos e que a alimentação deve ser fonte de dignidade para quem consome e para quem produz. Neste plano de análise disse que nunca se produziu tanto como hoje. O problema está na distribuição. E nos recursos naturais, pela forma como produzimos e consumimos. A ilustrar o seu discurso, sistematizou os problemas: 1º – o acesso físico e económico ao alimento (pobreza, mercados voláteis e ineficazes; infraestruturas, guerras. E lançou desafios – 4 dos 16 habituais- 1) demografia e alimentação; 2) novos hábitos alimentares por via da mobilidade social, mais classe média, mais consumo de carne, legumes e frutas; crescente urbanização na estima de 70% em 2015, envelhecimento demográfico na base de +60 anos em 2015: 11%; em 2050:22%; e as dietas condicionadas; 3) agricultura familiar: extremamente importante para a estratégia da FAO, que produz 70% dos alimentos (570 milhões de propriedades agrícolas familiares); contribui para a segurança alimentar mundial; representa mais de 98% das explorações agrícolas´.

Para o Dr. Muteia, é preciso dignificar o sector e desenvolver políticas favoráveis. Ter em conta a questão do desperdício de alimentos – 1,3 mil milhões de toneladas por ano (1/3 da produção mundial); ameaças ao meio ambiente: alterações climáticas, água-consumo médio por sector, solos, fauna (50% da fauna dizimada nos últimos 40 anos) e florestas (13 milhões de hectares perdidos por ano entre 2000 e 2010). A concluir defendeu o compromisso global em novos paradigmas, novas soluções tecnológicas, multidisciplinariedade, no reduzir o desperdício de alimentos, resolver o problema das externalidades (ex.; o que nós fazemos positiva-a apicultura na polinização do vizinho e negativamente-a poluição do curso de água e do terreno pelos fertilizantes e pesticidas). E nesta acção, dar voz e colocar no centro o Homem.

Em cenário de debate o embaixador Murade lembrou a campanha lançada em 2014 até 2025 “Juntos contra a fome” de que disse resultar a aplicação na Guiné-Bissau de projecto derivado da campanha. Entretanto Helder Muteia reforçou a mensagem de que a acção da FAO é o concreto e prático, como o que foi apresentado pelo secretário executivo da CPLP.  Em resposta à pergunta: Não haverá caminho para fazer chegar ao consumidor, aos que morrem à fome, os produtos armazenados e que acabam deitados fora, por efeito do mercado? O representante da FAO aludiu ao manual twin track da FAO, há organizações específicas que devem ter condições para agir com dignidade, e também fez a denúncia de que em alguns países ONG, organizações de voluntariado humanitário são relegadas para a clandestinidade.

PELA DIGNIDADE DA PESSOA, NA FORÇA DA FÉ E COM CARIDADE

A concluir a abordagem temática, realizou-se a mesa redonda constituída pela representante da EAPN da Delegação de Portalegre, Drª Isabel Lourinho, pelo Dr. Manuel Carreiras, do Banco Alimentar de Portalegre, e a Drª Fátima Santos, representante da Cáritas Interparoquial de Castelo Branco.

 

Os últimos quarenta e cinco minutos de mesa redonda e debate permitiram que a assembleia conhecesse o trabalho de campo feito na diocese por aquelas organizações no combate e minimização da fome e da pobreza, pela dignidade humana.

Procedeu ao encerramento dos trabalhos o sr Bispo que reiterou os agradecimentos já feitos por Elicídio Bilé, coordenador comissão organizadora do evento. Manifestou D. Antonino a sua alegria por esta 6ª Assembleia da Pastoral Social e Mobilidade Humana, realizada e bem conseguida na sensibilização destas problemáticas da pobreza e da fome e respostas dentro da doutrina social da Igreja, com a força da fé e na prática da caridade. Lamentou a ausência das instituições de solidariedade social-IPSS, denunciou a indiferença, mas anunciando no contexto a presença única da Santa Casa da Misericórdia de Proença-a-Nova. A propósito, clamou ser precisa a fantasia da caridade (papa Francisco) e não da caridadezinha de sacristia. Disse que é preciso não só ensinar a pescar mas garantir o direito a pescar. Não nos deixarmos enredar, cair na globalização da indiferença, o que não é atitude cristã.

Relevou o sr. Bispo o papel da Cáritas Internacional e a campanha em curso até 2025 pela erradicação da pobreza e da fome no mundo, sublinhando que “vemos a face de Jesus naqueles que sofrem pela fome.” D. Antonino renovou o apelo ao trabalho em rede, porque quanto mais articulação e coordenação mais fortes somos na acção pela justiça e dignidade humana.

Por fim, D. Antonino agradeceu expressamente à Cáritas diocesana pelo serviço pastoral feito sob o mandato do bispo e compromisso de investidura do Secretariado da Pastoral Social e Mobilidade Humana. Terminou o sr. Bispo grato à escola pelo generoso acolhimento e hospitalidade, aos convidados que trouxeram conhecimento, sábias palavras e experiência positiva em prol do bem comum e da dignificação da pessoa/ser humano, e aos participantes na assembleia e que são agentes pastorais na diocese, deixando o sr. Bispo a mensagem final de que “seremos tanto mais para nós quanto mais formos para os outros.”

No âmbito da assembleia, D. Antonino convidou os presentes a levarem consigo a sua última carta pastoral, datada de 21 de janeiro de 2015, sob o título: “Dai-lhes vós mesmos de comer.”

AlfBernardoSerra


6.ª Assembleia Diocesana da Pastoral Social e Mobilidade HumanaConclusões do conselho geral da Cáritas

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